Reposição de estoque na papelaria: como saber quando e quanto recomprar

Como saber quando fazer um novo pedido e quanto recomprar de cada produto da papelaria, considerando os itens que não podem faltar, o prazo de entrega e o pedido mínimo de cada fornecedor.
Mãos repondo canetas em uma prateleira de papelaria

Na papelaria, dois problemas opostos costumam aparecer no mesmo estoque. De um lado, o produto que sai todo dia acaba antes de a reposição chegar, e o cliente vai embora sem o que veio buscar. De outro, a compra feita “para garantir” fica parada na prateleira e ocupa o dinheiro que faria falta em outros itens.

Este guia parte de um mix que já existe e trata de outra decisão: quando fazer um novo pedido e quanto recomprar de cada produto. Você vai ver como escolher os itens que merecem mais atenção, como definir um sinal prático para pedir antes da falta, como considerar o tempo que a mercadoria leva para chegar e como organizar as recompras por fornecedor sem comprar além do necessário.

Reposição de estoque não é a mesma coisa que montar o mix

Montar o mix é decidir o que a loja vende: quais categorias, quantas opções em cada uma, que faixas de preço, quais novidades testar. Se é ela que está em aberto na sua loja, comece por como decidir o mix da sua papelaria.

A reposição vem depois. Com o mix definido, a pergunta passa a ser como manter abastecidos os produtos que já fazem parte dele: quando pedir de novo, quanto pedir e de quem, já que prazo e condições mudam de um fornecedor para outro. É uma decisão bem mais frequente, repetida toda semana ou todo mês, e por isso pesa tanto no resultado da loja: cada recompra fora de hora vira falta na prateleira ou dinheiro parado.

Por que a reposição costuma falhar

Na experiência comercial da GW com papelarias, um erro aparece com frequência: deixar um produto de giro alto chegar a um nível muito baixo, ou até zerar, antes de fazer o pedido. Enquanto a mercadoria não chega, a loja fica com um buraco na prateleira justamente no item que o cliente mais procura. Essa falta do produto na hora da compra é o que o varejo chama de ruptura de estoque.

O problema raramente é falta de cuidado. Em geral, a reposição falha porque:

  • a falta só é percebida quando o item acaba, e não quando ele começa a ficar baixo;
  • o prazo de entrega não entra na conta: o pedido sai no dia certo para uma compra imediata, mas a mercadoria leva dias para chegar;
  • a quantidade é decidida por impressão, sem olhar o ritmo de venda: ou se compra pouco e o item falta de novo, ou se compra muito “para não ter problema”;
  • o volume de um período de pico é repetido em meses normais, e o excesso fica parado.

O caminho para evitar os dois extremos é o mesmo: acompanhar de perto os produtos que mais importam e definir, para cada um, um ponto em que o pedido precisa sair.

Comece pelos produtos que não podem faltar

Nem todo item precisa do mesmo nível de acompanhamento. Controlar centenas de produtos com o mesmo rigor costuma ser inviável numa papelaria pequena. O esforço rende mais quando se concentra nos itens cuja falta custa mais caro.

Um produto merece atenção especial por dois motivos, que podem aparecer juntos ou separados:

  1. Giro alto: vende de forma constante e rápida, então acaba logo se a reposição atrasar.
  2. Necessidade imediata do cliente: quem procura o item precisa resolver aquilo na hora e, se não encontrar, compra em outro lugar.

Esse segundo motivo costuma ser esquecido. Na experiência de atendimento da GW, itens como lápis, borrachas, canetas, lapiseiras, grafites e cola merecem atenção também por isso: muitas vezes o cliente precisa deles para uma tarefa do mesmo dia e não vai esperar a loja repor. Um item barato pode ser crítico pelo transtorno que a falta causa, e não só pelo volume que vende.

A lista acima é um exemplo, não uma regra. Cada papelaria tem os seus itens críticos, que dependem do público, da localização e do tipo de compra mais comum. Para identificar os seus, use o que a própria loja mostra:

  • o histórico de vendas, mesmo que simples, de quais produtos saem com mais frequência;
  • os itens que já faltaram e geraram reclamação ou perda de venda;
  • os pedidos de clientes que a loja não conseguiu atender na hora.

O resultado é uma lista curta de produtos que não podem faltar. É sobre ela que a rotina de reposição se apoia.

Quando fazer um novo pedido

O momento de pedir não é quando o produto acaba. É quando o estoque que sobra ainda é suficiente para atender os clientes até a nova mercadoria chegar.

Estoque mínimo como sinal de reposição

Para cada item crítico, defina um estoque mínimo: a quantidade em que, ao ser atingida, o pedido de reposição precisa sair. Esse nível funciona como um gatilho. Em vez de esperar o produto acabar, a loja passa a agir quando ele chega a esse ponto. Entidades do varejo recomendam ao pequeno lojista trabalhar com parâmetros desse tipo, como estoque de segurança e ponto de pedido, para reduzir ao mesmo tempo a falta e o excesso.

Para chegar a um estoque mínimo prático, pense em duas perguntas:

  • Quanto desse produto costuma vender enquanto a reposição está a caminho?
  • Quanto de folga faz sentido manter para imprevistos, como uma semana de venda acima do normal ou uma entrega que demora mais?

Um exemplo hipotético, só para mostrar o raciocínio: se um tipo de caneta vende cerca de duas caixas por semana e a reposição leva uma semana para chegar, pedir quando restar apenas uma caixa deixa a loja sem o produto antes da entrega. O sinal de reposição precisa ficar acima do que se vende durante o prazo de entrega, com alguma folga.

Não existe um número universal. O estoque mínimo de cada item depende do ritmo de venda e do prazo de reposição da sua loja, e deve ser revisto quando um dos dois mudar. Comece com uma estimativa simples e ajuste com a experiência. Se o item continua faltando, o gatilho está baixo. Se o produto chega e a quantidade antiga ainda está quase toda na prateleira, provavelmente está alto.

Considere o tempo até a mercadoria chegar

O prazo de reposição é o tempo entre fazer o pedido e ter a mercadoria disponível na loja. Ele é a base do estoque mínimo: quanto mais longo, mais cedo o pedido precisa sair.

Por isso, conheça o seu prazo real, fornecedor por fornecedor. Ele pode mudar conforme a empresa que vende, a região, a forma de envio e até o tamanho do pedido. Vale anotar quanto tempo os últimos pedidos levaram de fato para chegar, em vez de confiar só na previsão. Antes de começar a comprar de um fornecedor, também ajuda saber o que perguntar sobre isso. Veja o que avaliar no fornecedor para a reposição.

Um exemplo de como essa diferença pesa: na operação atendida pela GW, o prazo médio observado é de cerca de 48 horas nas regiões com entrega própria e de cerca de 7 dias úteis nas regiões atendidas por transportadora. São médias da operação, não garantias, e podem variar conforme a representada, a região, o pedido e o período. Ainda assim, mostram por que o mesmo produto pode precisar de um gatilho de reposição bem diferente em duas lojas: quem recebe em dois dias pode pedir mais perto do fim do estoque do que quem espera mais de uma semana.

Quanto recomprar de cada produto

Definido o momento de pedir, falta decidir a quantidade. A ideia é simples: o pedido deve cobrir o que você espera vender até a próxima reposição chegar, considerando o que ainda tem na loja, sem comprar além disso por impulso.

Na prática, cinco informações orientam essa conta:

  1. O ritmo recente de venda: quanto o produto vendeu nas últimas semanas, e não no melhor mês do ano.
  2. O estoque disponível agora: o que está na prateleira e no depósito, conferido, e não estimado.
  3. A procura esperada até a próxima compra: se a loja costuma repor a cada duas semanas, por exemplo, o pedido precisa cobrir a venda desse intervalo.
  4. Mudanças à vista: começo de período escolar, data comemorativa, encomenda de um cliente empresarial. Qualquer mudança previsível de procura altera a quantidade.
  5. O dinheiro disponível: o capital usado para estocar um item a mais é o mesmo que falta para repor outro.

Voltando ao exemplo hipotético da caneta, que vende cerca de duas caixas por semana: se a loja quer que a compra cubra as próximas duas semanas, a necessidade estimada é de cerca de quatro caixas. Desse total, desconte o que ainda há em estoque para o mesmo período. O prazo de entrega serve principalmente para decidir quando pedir, como visto na seção anterior. A quantidade responde a outra pergunta: quanto a loja precisa até a próxima compra. Uma folga pode ser somada à parte, conforme o risco de faltar aquele item. Os números são ilustrativos. O que vale é o raciocínio.

Dois cuidados evitam o excesso:

  • Não decida a quantidade pelo melhor momento de venda. Se o pedido for baseado num pico, o excesso aparece nas semanas seguintes.
  • Não aumente o pedido só para “aproveitar”. Comprar bem mais do que o ritmo de venda pede prende capital e, em itens de tendência, pode deixar produto parado.

Se o ritmo de um produto muda de forma consistente, para mais ou para menos, ajuste o estoque mínimo e a quantidade de recompra. Se a mudança levantar a dúvida sobre o espaço que o item deve ter na loja, essa já é uma decisão de mix.

Reposição contínua ou revisão periódica?

Há duas formas básicas de organizar a reposição, e muitas lojas usam as duas ao mesmo tempo:

  • Reposição contínua: o estoque é acompanhado o tempo todo e o pedido sai sempre que o item atinge o seu estoque mínimo. Exige mais acompanhamento, mas mantém o estoque mais enxuto.
  • Revisão periódica: a loja confere o estoque em datas fixas, por exemplo uma vez por semana ou a cada quinzena, e faz os pedidos naquele momento, para tudo o que precisar.

O Sebrae RS recomenda manter o modelo contínuo para os produtos de maior valor agregado e repor periodicamente as mercadorias mais baratas. Numa papelaria, vale acrescentar um critério: a criticidade. Um lápis é barato, mas, se falta, o cliente compra em outro lugar. Itens de giro alto ou de necessidade imediata podem merecer uma conferência mais frequente, mesmo quando são comprados junto com os demais. Os produtos de menor prioridade entram na revisão periódica.

Não há frequência certa para todas as lojas. A rotina depende do volume de vendas, do prazo dos fornecedores e do tempo disponível para conferir o estoque. Uma combinação comum é olhar os itens críticos com mais frequência e revisar o restante numa data fixa.

Como o pedido mínimo da representada entra na decisão

Quem compra de vários fornecedores precisa considerar uma restrição a mais: o pedido mínimo de cada um. No atendimento da GW, o pedido mínimo é de R$ 400 por representada, e ele vale também para os pedidos de reposição. Como cada representada fatura e envia o seu próprio pedido, valores de representadas diferentes não se somam para atingir esse mínimo.

Isso muda a forma de organizar as recompras. Em vez de pensar produto por produto, agrupe as necessidades por representada. Quando um item de um fornecedor atinge o estoque mínimo, confira se outros produtos do mesmo fornecedor também precisam de reposição de verdade. Muitas vezes, ao juntar essas necessidades reais, o pedido chega ao mínimo sem esforço.

O que não faz sentido é completar o valor com produtos que a loja não precisa só para atingir o mínimo. Essa compra vira o excesso que o próprio controle de estoque tenta evitar. Se as necessidades reais daquela representada ainda não alcançam o valor, o caminho normal é esperar e acumular novas necessidades de reposição até formar o pedido.

Para que essa espera não provoque falta, os itens críticos precisam de um gatilho que leve em conta esse tempo a mais. Se um produto não pode faltar e o seu fornecedor exige pedido mínimo, o sinal de reposição dele deve ficar um pouco acima do que ficaria se o pedido pudesse sair a qualquer momento.

As condições de cada compra, como o pedido mínimo, o frete e o pagamento, são informadas no atendimento. Para entender o processo e as condições do pedido, veja como funciona a compra com um representante comercial.

Como se preparar para períodos de maior procura

A lógica da reposição vale o ano todo, mas os parâmetros mudam quando a procura muda de forma previsível. Antes de um período de pico, o ritmo de venda que define o estoque mínimo e a quantidade de recompra deixa de valer: o mesmo produto passa a sair muito mais rápido.

Nesses períodos, a reposição precisa ser planejada antes do aumento da procura, e não descoberta durante ele. Isso inclui rever os gatilhos dos itens críticos e confirmar prazos com os fornecedores com antecedência. No fim do pico, o cuidado se inverte: as quantidades de recompra precisam voltar ao ritmo normal antes que a procura caia, para não sobrar mercadoria.

Na papelaria, o principal exemplo é o começo do ano letivo. Para o planejamento específico dessa época, veja o planejamento da Volta às Aulas.

Uma rotina simples de reposição para a papelaria

A reposição funciona melhor como rotina do que como reação. Uma sequência prática, que pode ser adaptada à sua loja:

  1. Liste os produtos que não podem faltar, pelo giro e pela necessidade imediata do cliente.
  2. Observe o ritmo de venda de cada um nas últimas semanas.
  3. Defina um estoque mínimo para cada item crítico, considerando a venda durante o prazo de reposição e uma folga.
  4. Anote o prazo real de entrega de cada fornecedor e revise quando ele mudar.
  5. Peça quando o item atingir o estoque mínimo, e não quando acabar.
  6. Calcule a quantidade pela necessidade real: venda esperada até a próxima reposição, menos o estoque atual.
  7. Agrupe as necessidades por representada e respeite o pedido mínimo de cada uma, sem completar com o que não precisa.
  8. Trate os períodos de pico à parte, com gatilhos e quantidades revistos antes que a procura suba.

Essa rotina funciona com uma planilha simples, um caderno de controle ou um sistema de gestão de estoque. A ferramenta importa menos que o hábito de conferir os itens críticos com frequência e registrar o que faltou.

Para quem compra com a GW, a reposição pode ser feita pelo canal de pedidos on-line disponibilizado pela GW ou diretamente com o representante, com apoio comercial nos dois caminhos. Em qualquer um deles, a decisão de quando e quanto pedir parte do controle de estoque feito pela própria loja.

Checklist de reposição

  • Tenho uma lista dos produtos que não podem faltar na minha loja?
  • Sei quanto cada um desses produtos costuma vender por semana?
  • Cada item crítico tem um estoque mínimo que dispara o pedido antes de acabar?
  • Conheço o prazo real de entrega de cada fornecedor?
  • A quantidade de cada pedido é baseada na venda esperada até a próxima reposição, e não no melhor mês?
  • Agrupo as necessidades por fornecedor e respeito o pedido mínimo sem comprar o que não preciso?
  • Revejo gatilhos e quantidades antes dos períodos de maior procura e reduzo as reposições quando o pico termina?
  • Registro os produtos que faltaram e os pedidos de clientes que não consegui atender?

Perguntas frequentes

Quando devo fazer o pedido de reposição?

Quando o produto atinge o estoque mínimo definido para ele, e não quando acaba. Esse nível precisa ser suficiente para atender os clientes durante todo o tempo que a mercadoria leva para chegar, com alguma folga para imprevistos.

Como definir o estoque mínimo de um produto?

Pela venda do produto durante o prazo de reposição, mais uma folga para imprevistos. Depois, ajuste com a experiência: faltas repetidas indicam um mínimo baixo.

Todos os produtos precisam do mesmo acompanhamento?

Não. Os itens de giro alto e os de necessidade imediata do cliente merecem conferência mais frequente. Os de menor prioridade podem ser revisados numa data fixa, junto com os demais pedidos.

O que fazer quando a reposição de uma representada não atinge o pedido mínimo?

Confira se outros produtos da mesma representada também precisam de reposição de verdade e inclua o que for necessário. Evite completar o valor com itens desnecessários. Se ainda assim o pedido não chegar ao mínimo, o normal é esperar acumular novas necessidades, desde que os itens críticos tenham um gatilho que dê conta dessa espera. Lembre que valores de representadas diferentes não se somam.

Quanto tempo leva para a reposição chegar?

Depende do fornecedor, da região e da forma de envio, por isso o ideal é registrar o prazo real dos seus pedidos. Como referência, na operação atendida pela GW o prazo médio observado é de cerca de 48 horas onde há entrega própria e de cerca de 7 dias úteis onde o envio é feito por transportadora. São médias, não garantias.

Antes de fazer o próximo pedido

Repor bem não depende de um sistema sofisticado. Depende de saber quais produtos não podem faltar, de pedir antes que eles acabem e de comprar o que a venda esperada justifica. Uma rotina assim pode ajudar a reduzir os pedidos de emergência, evitar compras além do necessário e aumentar a chance de manter disponíveis os produtos que mais importam para os seus clientes.

Sobre o autor

Wanderley Júnior

Wanderley Júnior assina os conteúdos da GW Representações, que reúne mais de 20 anos de experiência em representação comercial e atendimento a papelarias, lojas e empresas.